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Postagens

TEXTO: O orgulho fazendo nevar onde ainda há fogo

Texto: A arte de robotizar pessoas

"Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,  Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo (...)  Arre, estou farto de semideuses!  Onde é que há gente no mundo?" A arte de robotizar pessoas, diminuir o som de suas gargalhadas (gargalhadas incomodam os vizinhos). Melhor deixá-las com sorrisos contidos, daqueles que não exibem os dentes e não contagiam. Apenas precaução, nada de sorrisos contagiantes, não queremos que uns sorriam as alegrias dos outros. Alegria é coisa para ser privatizada e exibida através das fotografias. Para as fotografias, elas não só podem, como devem, sorrir mostrando todos os dentes, de preferência em campanhas publicitárias vendendo felicidade. Mercadorias não são ridículas, elas tem valor monetário. A arte de robotizar pessoas, diminuir o alcance de suas palavras, transformar gritos provocativos em em sussurros polidos. E quanto aos que com palavras provocam, esses são tratados como debeis ridículos, para que...

Sem sono e vivendo de sonho

Era um sonhador, daqueles que são capazes de pegar todo e qualquer broto da mais dura realidade e rega-la esperando brotar uma o universo almejado. Vivia sonhando com o dia em que todos os cuidados fizessem florescer um sorriso real naquela boca escancarada e cheia de dentes. Não era capaz de dormir, na verdade nunca tivera sido, nasceu assim, não dormia, apenas sonhava. E ao contrário do que cantarolava o poeta, sonhar acordado não o impedia de sentir dor. Tinha amor as causas perdidas, as ganhas nunca lhe pareceram interessantes. Quando a causa já estava ganha não havia com o que sonhar.  O desconforto era o combustível de seus sonhos, eles pareciam se alimentar do impossível. E quanto ao possível? Ah... o possível lhe causava fadiga. Não havia nada mais fadigante, do que aquilo que já existia sem antes ter sido sonho de alguém. Para ele, tudo precisava de uma pitada de sonho. As vezes uma mera gotinha já bastava. Algumas pessoas se incomodavam com o fato dele nunca dormir. ...

SÉRIE: True detective

A série é novinha, estreou em janeiro. Foi uma temporada pequena, composta de oito episódios, descobri a série pela indicação de uma amiga, fui fisgada logo no primeiro episódio. A primeira temporada foi ótima e a série foi renovada, ou seja, podem ir conferir sem medo de ficarem órfãos. Pelo menos uma segunda temporada já está garantida. True Detective é uma série de suspense policial que retrata a vida de Rustin Cohle (McConaughey) e Martin Hart (Woody Harrelson), dois detetives de homicídios. A série se inicia com os dois protagonistas que já não são mais detetives prestando depoimentos sobre um antigo caso de quando eles ainda atuavam. Dentre os vários motivos para ver a série, a abertura não deixa de marcar presença, junto com a fotografia, trilha sonora e caracterização dos personagens (são mais de dez anos o desenrolar da trama e os personagens parecem fazer jus ao tempo passado). Todas esses elementos criam a atmosfera perfeita para que a história nos seja contada ...

Machismo nosso de cada dia

"Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura" Já nos primeiros anos de colégio era um assunto abordado pela "Tia". A mesma tia que ao brigar com as meninas argumentava que tal comportamento não era coisa de moça. Tanto se falou e se fala sobre o machismo, mas ele está tão enraizado em nossa sociedade que por mais que se fale parece que ainda não se falou o suficiente. Há pessoas que conseguem ser extremamente machistas sem ter a menor noção de que estão sendo. Pensamentos e regras machistas são tão comuns que em muitos círculos o estranho é achar que não existe isso de coisa de homem e coisa de mulher, o que existe é apenas coisa de gente de ser humano. A maneira como cada um se comporta não deve ser ditada por um outro alguém que já escolheu tudo por você baseando se no seu sexo. Pois bem, encontrei esse documentário que se chama "TPM Tradição Preconceito Machismo", ele não é muito atual, é de 2004. Achei super bacana e digno de ser divulgad...

FILMINHO: Stoker (Segredos de sangue)

Tenho um enorme tombo por filmes que abordam a psicopatia. Segredos de sangue foi um filme que me seduziu de tal maneira, que ao terminar fui pesquisar mais obras do mesmo diretor, o sul-coreano Chan Wook-Park.  Descobri a Trilogia da vingança  e fiquei fascinada pelo cinema coreano. Stoker foi o primeiro filme deChan Wook-Park em língua inglesa. Ambos os filmes não são nada previsíveis, o que considero uma enorme vantagem. Mas não é uma imprevisibilidade que te deixa com a sensação de que foi lesada pelo autor da obra, e sim algo que você acha sensacional. Os personagens são bem "ambíguos", no sentido de que nenhum deles é simplesmente bom ou mau e todos eles são bem complexos. Superando a dificuldade com foco, volto a falar de Stoker, que é o protagonista do post. Um filmaço que indiquei para meus amigos e não sosseguei até que tivessem assistido. A fotografia é linda e a história super envolvente. A trama começa com India no meio de um campo, falando fras...

Enfeitar a sala, muito melhor do que fazer sombra na calçada

Logo cedo, miudinha ainda, lhe fora ensinado que era vantajoso ser um bonsai. Uma árvore que poderia crescer e atingir aquele tamanhão todo, não agradava ninguém. Era melhor ser moldada para permanecer miúda e poder ficar na sala, ser formosa e fazer sala. Crescer livremente no quintal, ficar grande e fazer sombra era pouco sofisticado e até mesmo banal, ninguém parecia precisar de sombra. Bom mesmo, era ter seu crescimento restrito, ser moldada e podada. Podada sempre, afinal, nenhuma planta precisava de asas. "Enfeitar a sala, muito melhor do que fazer sombra na calçada" e foi nisso que ela acreditou, enquanto sorria para as visitas, era formosa e fazia sala.