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Texto: A arte de robotizar pessoas

"Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo (...) Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?"


A arte de robotizar pessoas, diminuir o som de suas gargalhadas (gargalhadas incomodam os vizinhos). Melhor deixá-las com sorrisos contidos, daqueles que não exibem os dentes e não contagiam. Apenas precaução, nada de sorrisos contagiantes, não queremos que uns sorriam as alegrias dos outros. Alegria é coisa para ser privatizada e exibida através das fotografias. Para as fotografias, elas não só podem, como devem, sorrir mostrando todos os dentes, de preferência em campanhas publicitárias vendendo felicidade. Mercadorias não são ridículas, elas tem valor monetário.

A arte de robotizar pessoas, diminuir o alcance de suas palavras, transformar gritos provocativos em em sussurros polidos. E quanto aos que com palavras provocam, esses são tratados como debeis ridículos, para que os já robotizados não desvirtuados. Os Robotizados sussurram e agradam com o brilhantismo das frases prontas, pensamentos comercializados e sensatos.

A arte de robotizar pessoas, tratar suas tristezas como doença e medica-las. É importante que todos tenham a mesma medida, que não estejam inteiros, todos pela metade, e que não transbordem. É inadmissível que percam a medida. Robotizados sabem que devem estar sempre felizes, tristeza é uma ridícula derrota e domesticados são vencedores.

A arte de robotizar pessoas, caso se desconfigurem e cheguem a afirmar que estão com seus corações partidos, são lembradas que músculos não se partem por isso tal afirmação é ridícula. Os Robotizados tem noção do ridículo, sem gargalhadas, gritos, tristezas ou corações partidos.




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